São sete e meia da manhã, e olho sobre Lisboa. O meu corpo adapta-se mal a estas horas matutinas. Sinto-o estalar por baixo da pele lavada. Por outro lado entende...
Há qualquer coisa muito forte num dia que se pepara para começar. A azáfama das andorinhas cruza-se com os últimos cantares dos galos. Mulheres saem por portas procurando não fazer barulho com os pés. Vê-se a cumplicidade que têm com o princípio do dia. Já se conhecem de muitas caminhadas.
A confusão de casas vista daqui tem sobre si espalhada uma poalha brilhante de luz. Lembra-me um palco à minha espera. Vejo os sítios que fazem parte do meu dia a dia lá em baixo... parece que ainda esfregam os olhos a prepararem-se para este encontro... Ou serei eu?
Outras pessoas vão chegando, sem que tivéssemos combinado. Vêm sozinhas no mesmo ritual de silênciao. Que papéis representarão hoje?
Gostava de realmente não saber o meu... ou de poder estar mais vezes junto a este lugar de mim (de ti) atrás de qualquer papel, quando só existe o potencial de que existam.
Gostava de te vir visitar mais vezes Lisboa, apesar de a minha pele estalar a esta hora.
(miradouro da graça/ 17 de maio de 2006)
Há qualquer coisa muito forte num dia que se pepara para começar. A azáfama das andorinhas cruza-se com os últimos cantares dos galos. Mulheres saem por portas procurando não fazer barulho com os pés. Vê-se a cumplicidade que têm com o princípio do dia. Já se conhecem de muitas caminhadas.
A confusão de casas vista daqui tem sobre si espalhada uma poalha brilhante de luz. Lembra-me um palco à minha espera. Vejo os sítios que fazem parte do meu dia a dia lá em baixo... parece que ainda esfregam os olhos a prepararem-se para este encontro... Ou serei eu?
Outras pessoas vão chegando, sem que tivéssemos combinado. Vêm sozinhas no mesmo ritual de silênciao. Que papéis representarão hoje?
Gostava de realmente não saber o meu... ou de poder estar mais vezes junto a este lugar de mim (de ti) atrás de qualquer papel, quando só existe o potencial de que existam.
Gostava de te vir visitar mais vezes Lisboa, apesar de a minha pele estalar a esta hora.
(miradouro da graça/ 17 de maio de 2006)

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