Margarida Agostinho SOBRE O CEM






Biografia



Nasci em 1976, passei à casa dos trinta. Nasci no fim de Março, o que me faz Carneiro, pelas dez e cinquenta e cinco, o que tanto quanto consegui saber dá um ascendente Escorpião. Apesar de ser muitas coisas que não dependem de mim, trabalho para que a margarida agostinho seja aquilo que eu for. É nesta contextualização que faço tudo o que faço. Entendo portanto que tudo o que faço é trabalho.

Também trabalho para que a margarida agostinho seja aquilo que eu quiser, e é debaixo dessa contextualização que me ponho a pensar no que gostaria de ser. Entendo então que tudo o que penso que gostaria de ser é também trabalho.

Desta perspectiva não vejo muita diferença entre aquilo que faço e aquilo que gostaria de ser.

Tenho reparado que olho sempre na direcção de onde chamam “ó margarida!”, o que me leva a constatar que existe uma entidade específica a que as pessoas se dirigem e que sou eu. Debaixo dessa contextualização já fiz muitas coisas...

Desde 2004 que faço parte da equipa de Gestão do CEM – Centro Em Movimento, o que em si é também fazer muitas coisas. Em 2005 passei pela experiência de orientar a disponibilidade dos alunos em formação intensiva na direcção da escrita, o que em relação ao que eu entendo por trabalho teve uma importância extraordinária. Ainda em 2005 fiz parte dos performers que trabalharam na coreografia “mmm” da Sofia Neuparth, um projecto que engrossou a bagagem humana de cada um de nós de forma duradoura porque trabalhada de “dentro” para “fora”. Desde 2002 que me interesso por uma vertente de estudo do movimento que o relaciona com a percepção e investiga o ensino dessa relação (psicopedagogia perceptiva). Desde essa altura que penso e questiono mais a fundo as consequências dos efeitos desta percepção. Desde há muito mais tempo que me interesso pelo movimento em geral e pela transformação em particular. Pela possibilidade de me poder mover do específico para o geral, e interligar o que compreendo em maiores graus de amplitude. Ainda na década de 90 conheci o CEM, e fiz aqui a formação no trabalho de corpo: em movimento, em escrita, em imagem. Integrei a Zona Z em 2003, onde desenvolvi a procura de uma consistência na escrita coerente com o que encontrava nas manifestações de mim, na aproximação da minha espessura, da minha especificidade, do que é o volume capaz de se mover inteiro impulsionado por um estímulo. Foi essencial ser seguida tão de perto pelos orientadores, que testemunharam as quedas, reservaram as suas dúvidas, me seguiram até onde me encontraram no seu perímetro de actuação, ou estiveram mesmo depois disso por via de um salto de vontade, de disponibilidade.

Neste momento acontece-me uma grande vontade de revolver o que está assente. Como se faz com as bolas de cristais de neve. Ainda que seja só pelo prazer do movimento. Mas nunca é.

Afinal, mesmo desta perspectiva também não vejo muita diferença entre aquilo que faço e aquilo que gostaria de ser...

2006


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